
A GENTE VAI FICANDO MENOS TOLERANTE COM O TEMPO?
Há controvérsias: uns dizem que a idade vai nos deixando mais pacientes e tolerantes. Outros afirmam exatamente o contrário.
Eu sou da turma do contrário. Comigo, a intolerância foi imperando com a idade. E, a propósito, eu adorei. Sempre fui indignada com meu lado "boazinha": aquele que não se irritava com nada, que engolia sapos, que não revidava, não falava o que pensava ou sentia - com medo de magoar o outro. Ou de estragar o clima. As fases que eu mais curtia eram minhas 'fases TPM'. Ficava encantada com a facilidade que surgia pra dar foras, revidar grosserias, defender meus interesses ou, simplesmente, dizer 'NÃO'. Como é fácil dizer 'NÃO' na TPM!
Acredito, claro, que a maturidade vai nos dando maior compreensão das coisas, nos fazendo entender alguns por quês da vida, outrora inexplicáveis. Mas, junto com ela, vem tb a compreensão de que já somos fortes e auto-suficientes o bastante pra não precisar mais aturar tanta ignorância, mesquinhez, egoísmo, falsidade e hipocrisia. É a necessidade de defesa nos fazendo reagir (intolerância).
Hoje eu falo "na lata" boa parte do que penso. E não me incomodo mais tanto com que os outros vão pensar. Meço as palavras com quem gosto. E aprendi a restringir bem mais o círculo. Aprendi a separar o joio do trigo, a valorizar os pequenos atos e as virtudes de caráter. E a ser indiferente com quem não possui tais atributos.
Aprendi a não me importar com coisas e pessoas pequenas. Mas nem por isso ser impassível diante da mediocridade do ser humano.
Hoje não tolero gente que tem duas caras, gente que mente, gente grossa sem motivo, gente egoísta, gente desleal, gente que trai a minha confiança.
Também não tolero coisas menores como gente burra, gente chata, gente imatura, gente "boazinha demais".
Uma astróloga, há 4 anos atrás, disse que a partir dos 30 eu iria descobrir uma nova Daniela. Segundo ela, "a verdadeira Daniela". E que eu não iria me reconhecer. Acho que, finalmente, o escorpião que dorme dentro de mim está acordando. E vindo com toda aquela intensidade que só quem é, sabe.